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Contemplação

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terça-feira, julho 03, 2012 by


Abro os olhos
Absorvo o mundo
E suas cores
E suas nuances
Miríade de imagens
Feitas ora de ondas,
ora corpúsculos.

Com espírito galileano
Contemplo Luna em seu eterno reinado
Banhado pelo esplendor do grande-Rei
Em torno do qual dançam seus súditos alados

E ao despertar,
Hipervelozes
Os raios da aurora
Adentram minhas janelas;
Um mundo d’ouro contemplo,
Há vida lá fora, eu vejo

N’águas plácidas dos muitos prantos
Contemplo um rosto em encantos
Pergunto-me “por quê te admiras?
Já disto não sabia Euclides?”
Não, disto não me pergunto...
Me pergunto, “porque tal é teu pranto
se as trevas e a dor já se foram?
Oh, homem de triste semblante!
Quem és tu?”

E então, ao tocar a face abatida
desfaz-se a imagem d’alma ferida
E, sem mesmo os pensares
de Snell ou Descartes
Entendo, por fim
Que o semblante
O qual contemplo
Pertence a alma
Que estes versos escreve.

E vai-se a claridade
E toda glória do Rei
Eis Luna, alva majestade
A estes olhos encantar outra vez.


                                                            Sanderson Moreira


Aeternitas

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quinta-feira, dezembro 01, 2011 by

Há um mundo que excede o pensar,
uma vida diferente, num outro lar
onde as peças bizarras
do quebra-cabeça cotidiano
se encaixam,
se casam
e como os pontos de Seurat,
assim visto aos longe,
fazem sentido
completo, preciso.
Os olhos falham ao enxergar
por trás da cortina de léptons e quarks
e o coração pulsa por nada,
por matéria que um dia se acaba.
Oportunidade perdida
a de não se apaixonar eternamente
pelo teu Arquiteto, oh!
Tragédia certa será
ao lado dEle não estar,
na casa feita pra ti
pr'onde se mudariam
amanhã,
depois daqui,
num passeio sem volta
sem fim:
além do campo de estrelas luzentes
e noites de luas crescentes;
onde os lábios não beijam
e só a alma toca,
onde os olhos, obsoletos,
agora cegos não choram,
não assim, não mais
no outro mundo.


by Sanderson Moreira (01/12/2011)


Physique

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segunda-feira, julho 12, 2010 by

      Esse surgiu de uma forma especial. Foi em uma das aulas que tive no Instituto de Física da UERJ, uma disciplina que trata sobre Ensino de Física. A professora pediu uma criação nossa, e lá fui eu me meter na idéia de fazer um poema. E com algumas ajudadas da minha querida amiga Glaucita e mais alguns reajustes e inspirações em casa, tem-se isto:


"Un dimanche après-midi à l'Île de la Grande Jatte", de George Seurat

Ponto, reta e espaço
Do micro faz-se o macro
pontos e pontos:
retrato
como células num corpo
são os átomos

A Ciência no ser,
no viver, no respirar
Nos planetas de Galileu
e nas telas de Seurat*

Entrópica realidade;
A vida e suas variáveis;
sem leis, provas ou teorias.
Apenas se vive.

Mas nela vejo tanta ciência,
tanta beleza...
E tem gente que ainda diz que não...!

Ciência de acordes e tons,
dos mui terabytes,
incertezas, nãos e "por quês"

Movimento, carga, calor,
partículas com cor e sabor
luz, ondas, quanta
quanta coisa!
quanto saber!
Física não é mera equação
é a essencia, do ser, o coração
que pulsa a natureza
e faz-nos perceber
que nada é certeza
nem mera coincidência.

George Seurat foi um dos principais artistas do Pontilhismo, uma técnica artística de pintar quadros usando minúsculos pontos de cores primárias sobre a tela. Dá um efeito lindo. Pura Óptica. Pesquisem sobre. Fiquei encantado com isso! E também, porque é tema do meu seminário pra essa semana, hahaha!