Blame it on Boltzmann




I just feel like trapped in a sea of lost ones
Minds bound to a multitude of sensless speeches
Letters which took place of numbers and words
and sound like silence for some
and screams for many ones.

(... But all I hear is his voice and a machine working somewhere not so far from here...)

The only entropy I feel is inside my mind
The more he writes on the blackboard, the less I understand,
the less I see sense in staying here

Locked away,
Persisting in vain
Since it is not what I really planned for me
My mind ain't a pretty bird
supposed to be in jail
Kept from flying, kept from living

I want to know places
these equations would never let me go
I want to taste flavors
this bitterness keeps me from
I want to see colors
that can't be fit on this rude blackboard
I want a kind of freedom
no earthly thing could give to make me whole.

Sam

Pés de Hobbit


Uma agradável noite de quase verão. Caminho pelas ruas rumo à casa. Elas estão mais silenciosas e os carros as percorrem mais vagarosos e em número reduzido. Uma fração lunar mesmeriza meus olhos, como um demorado beijo de despedida ou boa noite. Noite, prestes a tornar-se em dia. A rua vazia parece ser mais minha. O ar estival, tão peculiar e entorpecente, parece que te leva, te eleva. Bilbo Bolseiro me fez pensar na vida. Tudo depende da aceitação ou não de desafios que ela te oferece. São decisões que te levam a outras decisões. Aventuras que levarão a outras aventuras vividas por você mesmo e até por outras pessoas adiante. É uma oportunidade de se permitir surpreender a si mesmo e descobrir-se. Penso agora em como a bifurcação no caminho tem me induzido aos poucos a um caminho que conduz a um abismo, o qual só pode ser transposto por meio de uma única ponte [ou, quem sabe, me desafiando a voar]. 
Tenho pensado e repensado e entendido que na verdade, no fim das contas, talvez o mais importante não seja o caminho e sim a caminhada. Como caminhar a via escolhida? Sim, eu escolhi, e entendi que, embora sejam diferentes os obstáculos, ambos caminhos podem ser trilhados de uma maneira similar. O que move os pés? O que conduz meu caminhar, qual o seu intuito? Será que eu apenas quero chegar em casa ou tenho me atentado para forma como eu ando por ruas? Já faz mais de um mês que eu mudei o caminho pelo qual vou pra casa. Passo por uma rua mais verde, mas calma, que parece encurtar o caminho. Percebi também que meus passos parecem ser menos velozes, mas a sensação que tenho é de que chego em casa mais rápido. É uma forma diferente de se chegar em casa. Poderia até ir de ônibus, mas não daria vazão à torrente de pensamentos, às minhas cantorias, enfim. Da mesma forma quero assim viver. Se este é o caminho a seguir, que venham as decisões e que meus pés saibam como melhor andar nessa estrada. Não quero rodas, prefiro os pés. E não quero pés velozes, mas quero pés habilidosos. Pés que saibam onde estão pisando e que saibam qual a melhor maneira de aproveitar o caminho. Talvez deseje os pés de Bilbo; pés de hobbit.

Sam (19/12/12)

O Novo




Um aroma  incoscientemente desejado há muito tempo impregnou o ar. 
Inacreditavelmente, ela veio e derramou-se em parte. Trancou os portais celestes com seu cinza egoísta e transmutou o dourado deste quente dia decembrino num prateado véu nebuloso. Crescia o cheiro de chuva. Ainda o sinto. Respirei fundo e pensamentos de gratidão fluíram de um coração de fato grato. Os acordes de um violão intensificavam a inspiração que precedera aquela prece. Até que, após o breve silêncio, uma voz vibrou os ares e despertou os olhos.
Como o crescente cheiro de chuva, o novo vem em ondas. Frequente e pouco a pouco em intensidade. O desejo por ele é doce e instigante. O seu sabor é caótico, agridoce. O novo traz consigo pequenos caos escondidos sob suas exuberantes ondas. Quanto te atingem, te trazem de volta ao campo gravitacional da realidade, uma vez que, deslumbrado e desesperado pela sensação do novo, da mudança, perdemos noção de sua complexidade. No entanto, quando já tomado pelo abraço da novidade, algo é certo: deixe-se impregnar. Sinta não apenas o cheiro da terra molhada, mas repouse sob a chuva fresca e viva, que te lava do velho, te vivifica. Entre em ressonância com as ondas do novo e absorva a energia bem-vinda.

Sam (02/12/12)

Abraço



Orei:
"meus medos e meus anseios, leve!"
Ouviu;
E a brisa agora sopra,
leve.
O abraço eu senti
E na Sua paz, me perdi.

Sam (29/11/12)

Ressurreição



Novas palavras fluindo, dando fôlego a este blog perdido. Que dor deixá-lo largado por tanto tempo. Não sei se é falta de inspiração ou tempo. Talvez devesse desenvolver uma forma melhor de aprisionar meus pensamentos súbitos para posteriormente registrá-los aqui. Às vezes me faltam coisas interessantes para escrever. Às vezes a preguiça me assola e eu deixo pra amanhã. E esse "pra amanhã" nunca morre... 

...Há cerca de quase 2 minutos começou a tocar Agua de Annique na playlist...

A verdade é que é quase impossível escrever, registrar, carimbar na tela o que ainda se mostra tão disforme na realidade aqui fora. A vida vai confusa e as palavras não saem. Com a vida inesperada, é difícil se inspirar por uma única coisa e fazê-la fluir, fluir a ponto de jorrar na web. O que procuro fazer aqui é compartilhar vida. A vida que vivo e a Vida que recebi. Não há muita razão em publicar algo se este será vazio de mim. Mas a boa nova é que bons ventos soprarão. 

Em breve creio ter coisas novas para compartilhar;
E por isso, vim aqui fazer este blog respirar. 

Este post é apenas um suspiro, sussurro de um grito que tá pra chegar. Mas não prometo nada. Não prometo posts regularmente publicados. Eu só sinto o vento do novo. Mas este hiato não foi vazio, muita coisa aconteceu. E tem acontecido.

Sam (19/11/12 - 01:49 am)

Contemplação



Abro os olhos
Absorvo o mundo
E suas cores
E suas nuances
Miríade de imagens
Feitas ora de ondas,
ora corpúsculos.

Com espírito galileano
Contemplo Luna em seu eterno reinado
Banhado pelo esplendor do grande-Rei
Em torno do qual dançam seus súditos alados

E ao despertar,
Hipervelozes
Os raios da aurora
Adentram minhas janelas;
Um mundo d’ouro contemplo,
Há vida lá fora, eu vejo

N’águas plácidas dos muitos prantos
Contemplo um rosto em encantos
Pergunto-me “por quê te admiras?
Já disto não sabia Euclides?”
Não, disto não me pergunto...
Me pergunto, “porque tal é teu pranto
se as trevas e a dor já se foram?
Oh, homem de triste semblante!
Quem és tu?”

E então, ao tocar a face abatida
desfaz-se a imagem d’alma ferida
E, sem mesmo os pensares
de Snell ou Descartes
Entendo, por fim
Que o semblante
O qual contemplo
Pertence a alma
Que estes versos escreve.

E vai-se a claridade
E toda glória do Rei
Eis Luna, alva majestade
A estes olhos encantar outra vez.


                                                            Sanderson Moreira

Calmaria de Maio


Degusto a breve sensação de paz pós tormenta. Faz uns dois anos que não sentia isso. Bastaram alguns estados quânticos e equações de Schrödinger para que as minhas engrenagens enferrujadas voltassem a operar em full-mode. Bem, mais incrível do que ter conseguido estudar todas aquelas demonstrações e ainda ter entendido a associação entre a matemática dos bra e kets e a realidade, foi ver que, apesar dos temores, ainda é possível, há vigor, há garra. É bom saber que ainda posso duelar. Graças a Deus. Agora, quero aproveitar essa breve - e quão breve - paz que se instaurou nessa quinta-feira passada sobre o meu reino para me inspirar com alguns filmes, terminar a leitura de alguns livros, escrever mais e, claro, dar asas curtas à #vidaloucaesã. Entende-se por este termo a vida de estar com amigos a qualquer momento, onde quer que seja, não importa o que seja, de uma maneira edificante. Assim o fiz semana retrasada, em Niterói com alguns amigos. Foi bem legal. É bom ter a experiência de passar um fim de semana de maneira atípica, na companhia de pessoas com as quais podemos rir, cantar, zoar, orar e chorar. Queria pelo menos um fim de semana destes por mês.
É bizarro já pensar que essa breve atmosfera de quietude logo logo estará prestes a extinguir-se. Assim são todas as coisas boas, como se nunca pudessem encontrar lugar aqui neste espaço-tempo corruptível, como as viagens de Sal Paradise perdendo sua mágica com o aproximar de cada outono.
Esse será um outono-inverno nostálgico, e eu posso cheirar isso nas canções de brit-rock hipnotizantes, nos ventos que varrem as ruas do subúrbio, na minha ora-sempiterna sede de meter o pé na estrada e conhecer cantos.
Bons têm sido os dias cinzentos e frescos. 
Reforçam minhas lembranças da Europa.

Sam