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Minha escolha

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quarta-feira, dezembro 30, 2015 by


Qualitativamente falando, talvez um dos presentes mais especiais e intrigantes que me fora proporcionado em 2015 foi a consciência de que eu sou um ser que faz escolhas, que pode simplesmente optar por uma estrada nesta vida sem ter que automaticamente ir com o fluxo, com uma multidão que até sabe pra onde está indo mas infelizmente não sabe o seu porquê (e às vezes sequer vê um sentido nisto). Aprendi que se pode dizer NÃO e isso é mais do que uma arte. É saber que há algo para além do SIM automático que inconscientemente proferimos porque a todo tempo estamos vivendo num modo de sobrevivência louco e doentio, que te diz que viver é aceitar tudo, a vida como ela aparentemente é, e que lá no final haverá, de alguma forma, um espaço pra felicidade - pois você não pode desfruta-la agora; há de se sofrer pra conseguir saboreá-la antes. Não há apenas um caminho. A vida é mais. There's more to life than what we frantically believe that life is.

A letra dessa música traduz muito desse sentimento:

"Let me see where I belong, let me be a little part of it!
Can I choose my way in life? 
Can I dream? Can I feel?
Could I know my choice?
A choice without the illusion that luck is for sale, 'cause I have all that money can buy."


#‎NowPlaying‬: After Forever - My Choice

Por Sanderson Moreira (26/12/15)


Looping

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quinta-feira, outubro 08, 2015 by

...A vida
é um looping;
velhas indagações
ainda engasgadas
que não se vão.
Por anos me seguem,
me engolem, me tomam;
E assim segue
a vida...


Sanderson Morera (08/10/15)


Aqui

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quarta-feira, agosto 05, 2015 by

Você sempre esteve lá quando todos o mesmo fizeram. Você sempre questionou os mesmos tópicos que todos eles sempre questionaram. Sua mente sempre se ocupou das mesmas reflexões que preenchiam a de todos eles. Seus dias transcorriam na cadência que embalava os deles. Tudo era tão ilusoriamente uniforme, e o uniforme era o belo, fazia brotar esperança e o sentimento de que não se estava sozinho. Mas agora, você está aqui. Você esteve, ficou e está aqui, mesmo que todos não compreendam. [A vida te trouxe aqui, acrescento]. Poucas as vezes foram aquelas nas quais você optou por não se mover, por dizer não, mesmo. Você sabe que isso é verdade. E isso tem um gosto tão... Peculiar, agora [não é?].  Esqueça as consequências e simplesmente saboreie o fato de que, desta vez, você escolheu estar aqui.  Saboreie o prazer da escolha sem medo de remar contra a maré. Aqui. Aqui você lida com novos medos e inseguranças, mas também se vê seguro diante de um bocado de coisas que te paralizavam.  Uns velhos grilos hoje são detalhes e você até ri de como eles te faziam pirar. Um mecanicismo de outrora agora parece tão estranho diante da convidativa aventura de criar vínculos e ser Vida na vida dos que sem Vida vivem. Sabe aquele círculo redondinho? Ele agora é uma reta, e não tente consertar isso. E retas traduzem-se em pontos; ligam-se, estão juntos, há em miríades. É perfeição. Aquele horizonte que você achou que já era vasto o bastante agora emerge mais vivo e mais rico, e mais largo e mais mais. Não é mais do mais. Não é algo a mais. É algo mais. Pode não ser belo e tampouco mais claro. Mas é mais. Aqui você continua respirando; o ar não é tão novo, mas você agora está respirando melhor. Há uma profundidade ansiada, e, entenda: ela sempre será profunda o suficiente pra que você não a alcance. Considerar possibilidades, sair da caixa, sentir-se parte do caos e evitar minimizar as interferências ou inesperados, isso tudo faz parte. Aqui. Você permaneceu e tudo transcorreu ao passo da rotina, com os múltiplos despertares a cada alarme do smartphone e com cada gole de chá ou café que encerrava a jornada de cada santo dia. Você diz buscar ser relevante e esperar que sua vida ganhe peso de impacto em outras. Você diz buscar ser mais forte e nunca se esquecer do alegre convite feito pelo Carpinteiro. Você diz buscar um novo sentido, ser aquilo que nunca ousou ser ou experienciar aquilo que não se permitiu viver. E isso tudo só passa pela sua cabeça, bombeia em seu coração e percorre suas frágeis veias porque você está no lugar onde exatamente deveria estar. Sem arrependimentos, você está aqui. Aqui.

Sam (05/08/15)


Hiatos

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domingo, julho 05, 2015 by

Por costume, supomos que o hiato seja sinônimo de inércia. Porém, fatos parecem provar o contrário - pelo menos na minha perspectiva. Durante um hiato, para-se para dar movimento a outras coisas. Um hiato pode ser uma lacuna de oportunidades aberta para outras experiências. Há toda uma nova dinâmica que passa a embalar a vida e gerar uma nova rotina. Os olhos atentam-se para outros detalhes antes despercebidos. A vida parece entender que se pode ir para além de uma trajetória retilínea e em passo uniforme. Um hiato pode significar muito mais do que o que o nosso coração temeroso costuma conceber acerca do mesmo. Apesar de ser uma pessoa indecisa demais, tenho paixão por possibilidades. São como cores na paleta, são como as roupas no armário e as diferentes linhas de ônibus que passam ali na rua a debaixo e me podem levar até mesmo a um mesmo lugar. Mas hoje eu não tenho necessidade de ser levado a um mesmo lugar. Há muito céu lá fora, há belezas antes não contempladas e que agora florescem convidativas. Há mais dimensões do que quando sob as pressões de meses atrás. Perde-se o medo de jogar coisas fora, até porque passa-se a perceber que nada é jogado fora. A vida não é uma lata de lixo, antes, um baú de maravilhas. Do feio faz-se o belo e de um fim nascem começos. A vida é um sistema conservativo, baby.
É óbvio que todo esse parágrafo de reflexão é uma tradução do meu "eu" hoje. Onde havia [boa e produtiva] desordem, há embrião de uma rotina. Projetos nascem no meu coração e a redescoberta do si próprio tem sido uma aventura, mesmo que ainda recém-iniciada. Hiatos não são bizarros e sim bonitos. Eis também arte de fazer escolhas mostrando seu peso e forjando-me. É aquele lance de vida por etapas… Vivo hoje aquilo que eu preciso viver.


Nestes dias

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quinta-feira, agosto 21, 2014 by

Inverno carioca. É engraçado como durante o verão a gente não consegue se imaginar sentindo frio na cidade e durante o inverno não temos noção de como as coisas vão esquentar em dezembro. O casaco nestes dias é companhia constante e a droga é mesmo quando chove. Nestes dias tudo é feito de vozes e de ideologias,  tudo é discurso... Mas me falta muita poesia. Me falta arte, embora eu a sinta me atraindo por todos os lados. Mas é o tempo. Ele anda escasso e isto implica escolhas... Também nestes dias abri mão da Coca-cola e seus familiares. Cinco semanas e dois dias sem refrigerante e tal coisa não me faz falta. Incrível, nunca imaginaria que eu poderia não sentir falta disso. Nestes dias me questiono sobre a falta de alteridade nas nossas relações. Nestes dias tenho escutado rock e sido constantemente envolvido por uma atmosfera nostálgica. Como de costume, o café está sempre por perto - seja numa cafeteria ou em casa mesmo - e é o amigo que me impulsiona a encarar minha rotina. Nestes dias minha mente tem ressignificado muita coisa. Esse processo de ressignificação é constante, de vez em vez ele sempre acontece. Creio que aprendi a apreciar minhas crises e sei que não se resumem só a desesperos. As vezes acho que estou no meio de uma, é até confuso agora, uma vez que elas já  até parecem ser algo comum e esperado na minha caminhada. Confesso que às vezes tenho ficado de saco cheio com muita coisa. É como se coisas viessem finalmente a mudar e eu não estou hesitando. Irrita-me ver pessoas se prendendo ao que julgam ser imutável. Paradigmas estão naufragando e as pessoas simplesmente ignoram os botes salva-vidas (ou até impedem outras de entrar neles).

Passei por experiências muito gratificantes estes meses, nas quais conheci pessoas em momentos os quais desejei que fossem intermináveis. Mas, infelizmente, estes momentos expiraram. No entanto, as pessoas continuam, onde quer que elas estejam e também na minha vida. Pessoas nos marcam, nos agregam, me enriquecem. Senti-me em casa em Natal e recebi em minha casa pessoas que nunca tinha visto na vida como se fossem família. A graça da vida está nessas coisas.

Das coisas que tenho para escrever, das coisas que tenho que conhecer, nada é poesia, nem canção, nem viagem. Mas estou contente. O coração arde e as vezes quer fugir selvagem pra algum onde já tenha pisado ou pra alguma terra nova que depois vire fotos em meu smartphone e elos com pessoas queridas. No entanto, tempo há pra tudo, e toda experiência - mesmo a mais monótona - é importante. Que graça foi poder quebrar a rotina da minha manhã, nesta quinta-feira, e poder dedicar uns minutos pra escrever essas declarações da minha alma. Não foram minutos perdidos - embora eu sempre tenha medo de que qualquer coisa que faça que não seja uma tarefa se resuma a perda de tempo. 


Correnteza

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terça-feira, dezembro 31, 2013 by


Um dezembro nublado se despede. Os últimos dias de um ano no qual estive praticamente ausente deste espaço. Confesso que concentrei muito da minha energia e atenção em diversas outras coisas, mas temo que a falta de inspiração e a preguiça foram que me mantiveram ausente. De alguma forma, ansiava por ter registradas reflexões dos meus dias. A verdade é que não posso prometer mais que irei alimentar este blog frequentemente, mas desejo e necessito desesperadamente de inspiração. Que meus pensamentos possam ir além de meios registros em dispositivos portáteis e fotografias. Que as palavras se unam de forma completa e componham o espelho das angústias e prazeres da minha alma. Que as cores dos dias de sol e o gris das tardes nubladas não se resumam a meras sensações, mas possam encontrar seu lugar nos meus versos e linhas corridas. Que meus dias se tornem memórias gravadas, em papel, em notas, em bytes.


Neste ano experimentei de um nível mais profundo do mergulho dado nestes últimos anos. Uma vez que se está no profundo, a superfície se torna desprezível. Creio que tenha sido o ano mais desafiador dessa jornada. Começou no inverno nostálgico do norte da Itália, continuando com as múltiplas tonalidades do cotidiano em minhas andanças pelas paisagens cariocas, passando pelo calor e a beleza da Cidade do Panamá e prestes a terminar em meios a preparativos para quinzes dias marcantes em meio aos universitários mineiros de Juiz de Fora. É, muitas aventuras que me enriqueceram, prepararam minhas mãos e me deram mais oxigênio para ir mais fundo nesse mar. Paralelamente a isso tudo, a sensação constante que tive - e que tenho, e que continuamente cresce a cada dia de uma maneira tão sufocante, mas tão motivadora - é de estar nadando contra a correnteza. Sim. O mundo todo seguindo em um sentido, sem olhar pra traz, sem olhar ao redor, com um alvo em mente. Alinhados e determinados em um ritmo frenético por um objetivo inalcançável. Sempre haverá mais a desejar além do que se almeja obter. Mas, quando sua perspectiva é clara, e te faz ver a vida de uma forma muito apaixonante, ampla e cheia de sentido, não há como seguir o fluxo. Há a dor e o esforço de vencer a correnteza, de negar as setas no caminho, de ignorar os hologramas, mas há o prazer de se buscar o real e perseguir aquilo que realmente te faz sentir que há sentido e propósito em cada respirar, em cada dia nesta realidade fria. Jorradas violentas de livros, trabalhos, seminários, palavras geladas, superficialidade, egoísmo, individualismo, solidão, inexistência, desordem, preocupações, deadlines, dores silenciosas... E, dentre esta multidão de coisas, você graciosamente encontra espaços para viver por algo mais. Graciosamente você consegue investir em relacionamentos sinceros, olhando no coração das pessoas e se importando com quem elas verdadeiramente são. Graciosamente você tenta cultivar cores em meio ao gris da realidade. No entanto, a sensação que você tem é a de que muitos ao seu redor estão te dizendo "você está fazendo isto errado". O que você vive é então um modo alternativo de vida. 

O que quero dizer, em resumo, é que embora em uma etapa nova da vida, minha direção permanece a mesma, embora a cada passo a força da correnteza pareça mais intensa e mais agressiva. O choque entre ideais, sonhos, ambições é desagradável, mas, a satisfação é saborosa. Vale a pena. E é desta forma que continuarei, e a vida assim terá outras mudanças, mas o caminho é um só, não há outra direção a seguir (não mais agora). Daqui a pouco já é hora de virar a ampulheta e continuar vivendo. A vida não muda como mágica; toda mudança é um processo. Estou num processo ao longo de anos. Coisas novas surgirão nos dias que se segue e meu desejo é que tais experiências agreguem à quem eu sou. Valorizo mais a experiência do que os fins. É ela que me transforma, me ensina e me aguça o olhar é o coração para fazer escolhas. Que as novas experiências possam me inspirar e me levar mais fundo nesse mergulho. E sim, espero muito mesmo poder compartilhar as maravilhas deste mergulho cada vez mais profundo com vocês. E é assim então que me despeço deste breve dezembro.

Sam (31/12/2013)


Pés de Hobbit

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quarta-feira, dezembro 19, 2012 by

Uma agradável noite de quase verão. Caminho pelas ruas rumo à casa. Elas estão mais silenciosas e os carros as percorrem mais vagarosos e em número reduzido. Uma fração lunar mesmeriza meus olhos, como um demorado beijo de despedida ou boa noite. Noite, prestes a tornar-se em dia. A rua vazia parece ser mais minha. O ar estival, tão peculiar e entorpecente, parece que te leva, te eleva. Bilbo Bolseiro me fez pensar na vida. Tudo depende da aceitação ou não de desafios que ela te oferece. São decisões que te levam a outras decisões. Aventuras que levarão a outras aventuras vividas por você mesmo e até por outras pessoas adiante. É uma oportunidade de se permitir surpreender a si mesmo e descobrir-se. Penso agora em como a bifurcação no caminho tem me induzido aos poucos a um caminho que conduz a um abismo, o qual só pode ser transposto por meio de uma única ponte [ou, quem sabe, me desafiando a voar]. 
Tenho pensado e repensado e entendido que na verdade, no fim das contas, talvez o mais importante não seja o caminho e sim a caminhada. Como caminhar a via escolhida? Sim, eu escolhi, e entendi que, embora sejam diferentes os obstáculos, ambos caminhos podem ser trilhados de uma maneira similar. O que move os pés? O que conduz meu caminhar, qual o seu intuito? Será que eu apenas quero chegar em casa ou tenho me atentado para forma como eu ando por ruas? Já faz mais de um mês que eu mudei o caminho pelo qual vou pra casa. Passo por uma rua mais verde, mas calma, que parece encurtar o caminho. Percebi também que meus passos parecem ser menos velozes, mas a sensação que tenho é de que chego em casa mais rápido. É uma forma diferente de se chegar em casa. Poderia até ir de ônibus, mas não daria vazão à torrente de pensamentos, às minhas cantorias, enfim. Da mesma forma quero assim viver. Se este é o caminho a seguir, que venham as decisões e que meus pés saibam como melhor andar nessa estrada. Não quero rodas, prefiro os pés. E não quero pés velozes, mas quero pés habilidosos. Pés que saibam onde estão pisando e que saibam qual a melhor maneira de aproveitar o caminho. Talvez deseje os pés de Bilbo; pés de hobbit.

Sam (19/12/12)