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Aqui

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quarta-feira, agosto 05, 2015 by

Você sempre esteve lá quando todos o mesmo fizeram. Você sempre questionou os mesmos tópicos que todos eles sempre questionaram. Sua mente sempre se ocupou das mesmas reflexões que preenchiam a de todos eles. Seus dias transcorriam na cadência que embalava os deles. Tudo era tão ilusoriamente uniforme, e o uniforme era o belo, fazia brotar esperança e o sentimento de que não se estava sozinho. Mas agora, você está aqui. Você esteve, ficou e está aqui, mesmo que todos não compreendam. [A vida te trouxe aqui, acrescento]. Poucas as vezes foram aquelas nas quais você optou por não se mover, por dizer não, mesmo. Você sabe que isso é verdade. E isso tem um gosto tão... Peculiar, agora [não é?].  Esqueça as consequências e simplesmente saboreie o fato de que, desta vez, você escolheu estar aqui.  Saboreie o prazer da escolha sem medo de remar contra a maré. Aqui. Aqui você lida com novos medos e inseguranças, mas também se vê seguro diante de um bocado de coisas que te paralizavam.  Uns velhos grilos hoje são detalhes e você até ri de como eles te faziam pirar. Um mecanicismo de outrora agora parece tão estranho diante da convidativa aventura de criar vínculos e ser Vida na vida dos que sem Vida vivem. Sabe aquele círculo redondinho? Ele agora é uma reta, e não tente consertar isso. E retas traduzem-se em pontos; ligam-se, estão juntos, há em miríades. É perfeição. Aquele horizonte que você achou que já era vasto o bastante agora emerge mais vivo e mais rico, e mais largo e mais mais. Não é mais do mais. Não é algo a mais. É algo mais. Pode não ser belo e tampouco mais claro. Mas é mais. Aqui você continua respirando; o ar não é tão novo, mas você agora está respirando melhor. Há uma profundidade ansiada, e, entenda: ela sempre será profunda o suficiente pra que você não a alcance. Considerar possibilidades, sair da caixa, sentir-se parte do caos e evitar minimizar as interferências ou inesperados, isso tudo faz parte. Aqui. Você permaneceu e tudo transcorreu ao passo da rotina, com os múltiplos despertares a cada alarme do smartphone e com cada gole de chá ou café que encerrava a jornada de cada santo dia. Você diz buscar ser relevante e esperar que sua vida ganhe peso de impacto em outras. Você diz buscar ser mais forte e nunca se esquecer do alegre convite feito pelo Carpinteiro. Você diz buscar um novo sentido, ser aquilo que nunca ousou ser ou experienciar aquilo que não se permitiu viver. E isso tudo só passa pela sua cabeça, bombeia em seu coração e percorre suas frágeis veias porque você está no lugar onde exatamente deveria estar. Sem arrependimentos, você está aqui. Aqui.

Sam (05/08/15)


Correnteza

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terça-feira, dezembro 31, 2013 by


Um dezembro nublado se despede. Os últimos dias de um ano no qual estive praticamente ausente deste espaço. Confesso que concentrei muito da minha energia e atenção em diversas outras coisas, mas temo que a falta de inspiração e a preguiça foram que me mantiveram ausente. De alguma forma, ansiava por ter registradas reflexões dos meus dias. A verdade é que não posso prometer mais que irei alimentar este blog frequentemente, mas desejo e necessito desesperadamente de inspiração. Que meus pensamentos possam ir além de meios registros em dispositivos portáteis e fotografias. Que as palavras se unam de forma completa e componham o espelho das angústias e prazeres da minha alma. Que as cores dos dias de sol e o gris das tardes nubladas não se resumam a meras sensações, mas possam encontrar seu lugar nos meus versos e linhas corridas. Que meus dias se tornem memórias gravadas, em papel, em notas, em bytes.


Neste ano experimentei de um nível mais profundo do mergulho dado nestes últimos anos. Uma vez que se está no profundo, a superfície se torna desprezível. Creio que tenha sido o ano mais desafiador dessa jornada. Começou no inverno nostálgico do norte da Itália, continuando com as múltiplas tonalidades do cotidiano em minhas andanças pelas paisagens cariocas, passando pelo calor e a beleza da Cidade do Panamá e prestes a terminar em meios a preparativos para quinzes dias marcantes em meio aos universitários mineiros de Juiz de Fora. É, muitas aventuras que me enriqueceram, prepararam minhas mãos e me deram mais oxigênio para ir mais fundo nesse mar. Paralelamente a isso tudo, a sensação constante que tive - e que tenho, e que continuamente cresce a cada dia de uma maneira tão sufocante, mas tão motivadora - é de estar nadando contra a correnteza. Sim. O mundo todo seguindo em um sentido, sem olhar pra traz, sem olhar ao redor, com um alvo em mente. Alinhados e determinados em um ritmo frenético por um objetivo inalcançável. Sempre haverá mais a desejar além do que se almeja obter. Mas, quando sua perspectiva é clara, e te faz ver a vida de uma forma muito apaixonante, ampla e cheia de sentido, não há como seguir o fluxo. Há a dor e o esforço de vencer a correnteza, de negar as setas no caminho, de ignorar os hologramas, mas há o prazer de se buscar o real e perseguir aquilo que realmente te faz sentir que há sentido e propósito em cada respirar, em cada dia nesta realidade fria. Jorradas violentas de livros, trabalhos, seminários, palavras geladas, superficialidade, egoísmo, individualismo, solidão, inexistência, desordem, preocupações, deadlines, dores silenciosas... E, dentre esta multidão de coisas, você graciosamente encontra espaços para viver por algo mais. Graciosamente você consegue investir em relacionamentos sinceros, olhando no coração das pessoas e se importando com quem elas verdadeiramente são. Graciosamente você tenta cultivar cores em meio ao gris da realidade. No entanto, a sensação que você tem é a de que muitos ao seu redor estão te dizendo "você está fazendo isto errado". O que você vive é então um modo alternativo de vida. 

O que quero dizer, em resumo, é que embora em uma etapa nova da vida, minha direção permanece a mesma, embora a cada passo a força da correnteza pareça mais intensa e mais agressiva. O choque entre ideais, sonhos, ambições é desagradável, mas, a satisfação é saborosa. Vale a pena. E é desta forma que continuarei, e a vida assim terá outras mudanças, mas o caminho é um só, não há outra direção a seguir (não mais agora). Daqui a pouco já é hora de virar a ampulheta e continuar vivendo. A vida não muda como mágica; toda mudança é um processo. Estou num processo ao longo de anos. Coisas novas surgirão nos dias que se segue e meu desejo é que tais experiências agreguem à quem eu sou. Valorizo mais a experiência do que os fins. É ela que me transforma, me ensina e me aguça o olhar é o coração para fazer escolhas. Que as novas experiências possam me inspirar e me levar mais fundo nesse mergulho. E sim, espero muito mesmo poder compartilhar as maravilhas deste mergulho cada vez mais profundo com vocês. E é assim então que me despeço deste breve dezembro.

Sam (31/12/2013)


Pés de Hobbit

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quarta-feira, dezembro 19, 2012 by

Uma agradável noite de quase verão. Caminho pelas ruas rumo à casa. Elas estão mais silenciosas e os carros as percorrem mais vagarosos e em número reduzido. Uma fração lunar mesmeriza meus olhos, como um demorado beijo de despedida ou boa noite. Noite, prestes a tornar-se em dia. A rua vazia parece ser mais minha. O ar estival, tão peculiar e entorpecente, parece que te leva, te eleva. Bilbo Bolseiro me fez pensar na vida. Tudo depende da aceitação ou não de desafios que ela te oferece. São decisões que te levam a outras decisões. Aventuras que levarão a outras aventuras vividas por você mesmo e até por outras pessoas adiante. É uma oportunidade de se permitir surpreender a si mesmo e descobrir-se. Penso agora em como a bifurcação no caminho tem me induzido aos poucos a um caminho que conduz a um abismo, o qual só pode ser transposto por meio de uma única ponte [ou, quem sabe, me desafiando a voar]. 
Tenho pensado e repensado e entendido que na verdade, no fim das contas, talvez o mais importante não seja o caminho e sim a caminhada. Como caminhar a via escolhida? Sim, eu escolhi, e entendi que, embora sejam diferentes os obstáculos, ambos caminhos podem ser trilhados de uma maneira similar. O que move os pés? O que conduz meu caminhar, qual o seu intuito? Será que eu apenas quero chegar em casa ou tenho me atentado para forma como eu ando por ruas? Já faz mais de um mês que eu mudei o caminho pelo qual vou pra casa. Passo por uma rua mais verde, mas calma, que parece encurtar o caminho. Percebi também que meus passos parecem ser menos velozes, mas a sensação que tenho é de que chego em casa mais rápido. É uma forma diferente de se chegar em casa. Poderia até ir de ônibus, mas não daria vazão à torrente de pensamentos, às minhas cantorias, enfim. Da mesma forma quero assim viver. Se este é o caminho a seguir, que venham as decisões e que meus pés saibam como melhor andar nessa estrada. Não quero rodas, prefiro os pés. E não quero pés velozes, mas quero pés habilidosos. Pés que saibam onde estão pisando e que saibam qual a melhor maneira de aproveitar o caminho. Talvez deseje os pés de Bilbo; pés de hobbit.

Sam (19/12/12)


Meias Palavras

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sábado, março 24, 2012 by


Palavras;
não as temos mais para dizer
Silêncio
e caixas de texto em branco |

Você me pergunta como estou
Com meias palavras respondo:
Tenho a vida,
Tenho a fé,
Tenho a ciência,
E estes corações a amar.

Estou trilhando o caminho.

Talvez não vivendo mais para ser amado,
Ou sequer lembrado
pelos alguéns dos ontens
Tampouco, levado a esquecê-los
ou sentir decepção.
- eis-me pros outréns dos hojes.

...And so it is...
Eu cresci,
Eu entendi;
É que a vida é mesmo assim.

Sam (07/03/12)


Ventos, Chuvas e Filosofias

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domingo, outubro 03, 2010 by

     Venta e cai um chuvisco incessante. No caminho para casa, os ventos sopravam forte, agressivos. Precisei segurar meu guarda-chuva para impedir que este fosse deformado ou levado pelas rajadas impetusas. Por fim, decidi fechar o guarda-chuva, permitindo com que as agulhadas geladas perfurassem meu ser nu. De alguma forma, essas agulhadas tornaram-se mais agradáveis - ou menos desagradáveis - que as constantes tentativas de impedir as ousadas acrobacias que o vento impulsionava meu guarda-chuva a fazer. Ressalto que gosto de caminhadas em dias chuvosos. Tudo é muito tranqüilo e a única sinfonia a se ouvir é a da chuva. Os ventos cantam e o coral de folhas revela uma perfeita variedade de tessituras. Há timbres de todos os tipos, sons de todas as sortes, mas que soam como o silêncio para minha alma. Na verdade, o silêncio é aquilo que tranquiliza [seja lá o que for] e não a ausência de som. É o algo que cala os pensamentos gritantes, pacifica as guerras interiores e nos seda temporariamente. O silêncio existe por dentro e não no ambiente. Há como existir silêncio em meio aos muitos sons. Um exemplo é quando estou no shopping. As vezes, o suposto silêncio da biblioteca da universidade - quase sempre - me traz poluição interior. Preciso fugir dali, preciso escapar. As vezes vou em busca dos andares mais vazios, mais tranquilos, mas, é paliativo. Percebo então que, na verdade, não é o pouco barulho ou pouco movimento que me trará mais paz. É algo mais profundo do que simplesmente os sons do ambiente físico. E fujo para o shopping. E ali, em meio a pessoas, lojas, odores [destaque para o da pipoca], sabores e ruidos, eu encontro um lugar. Sento-me em uma mesinha, escuto uma música, pego um livro ou algo para escrever, e inicio a minha viagem. Eu simplesmente achei um lugar para ter paz. Longe da correria acadêmica. Longe das cobranças. Longe das mesmas pessoas, da pressão psicológica e da auto-cobrança. A paz está então onde você verdadeiramente se liberta. Pode ser em uma caminhada pela rua, escutando uma boa música, e refletindo sobre a vida, ao lado dos carros que trafegam constantemente cruzando as vias da cidade, como eu o faço. Pode ser num dia de chuva, escutando o bramido dos ventos ou a melodia pluvial. Pode ser ao som da distorção de uma guitarra, ou nos golpes da percussão. Não importa. Você sabe onde encontrar a sua paz. E dias assim são dias nos quais eu delicio de um pouco dessa paz. 
     Paz é poder parar e ficar refletindo sobre sua vida. É poder perder o controle de sua auto-cobrança e abandoná-la, deixá-la de lado. É escapar de algo. É sentir a chuva e não reclamar do quão geladas são suas gotas ou por que você vai ficar todo molhado, mas sim senti-la e agradecer por isso, sentir isso como uma quebra de rotina, é vê-la como uma benção e não fugir correndo, mas sim caminhar, aproveitar cada gota que cair sobre você. É poder cantar em plena rua sem se preocupar em parecer um louco, mas sentir-se livre por cantar aquilo que a sua alma deseja entoar no momento. [sim, você não precisa ficar que nem um maluco gritando; eu disse, CANTAR, cantar para você!]. É, de alguma forma, ter um tempo consigo mesmo. É poder encontrar uma forma de visualizar somente você. E nesse momento é possivel ver que uma Pessoa Especial está com você, mesmo que não fisicamente, mas Ele está ali, acompanhando seu processo filosófico. Ele pode te induzir a pensar em como as coisas tem andado e você pode até sentir uma baita vontade de recorrer a algo maior, alguem que vá te abraçar com os braços do tamanho do Universo e que será a solução pra todos seus conflitos interiores. Ao fim de tudo, você verá que a paz se encontra quando você sente encontrá-LO. A paz reside nEle. Você já tentou encontrá-LO nos momentos em que você se sente aproximar-se da sua paz? #ficaadica
     Eis-me filosofando no conforto do cobertor e da cama. Pensando no fato de não saber ainda em quem votar amanhã [só presidente]. Pensando no medo da dor que pode ser me apaixonar novamente, exercitando novamente a atraente arte do procrastinar, mas, ouvindo, porém, a deliciosa harmonia dos sininhos embalados pelo vento, das telhas metálicas vibrando sobre os terraços, e do chiado do vento, que agora, por fim, parece estar encontrando algum sossego.