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O Novo
0quinta-feira, dezembro 06, 2012 by Sanderson Moreira
Um aroma incoscientemente desejado há muito tempo impregnou o ar.
Inacreditavelmente, ela veio e derramou-se em parte. Trancou os portais celestes com seu cinza egoísta e transmutou o dourado deste quente dia decembrino num prateado véu nebuloso. Crescia o cheiro de chuva. Ainda o sinto. Respirei fundo e pensamentos de gratidão fluíram de um coração de fato grato. Os acordes de um violão intensificavam a inspiração que precedera aquela prece. Até que, após o breve silêncio, uma voz vibrou os ares e despertou os olhos.
Como o crescente cheiro de chuva, o novo vem em ondas. Frequente e pouco a pouco em intensidade. O desejo por ele é doce e instigante. O seu sabor é caótico, agridoce. O novo traz consigo pequenos caos escondidos sob suas exuberantes ondas. Quanto te atingem, te trazem de volta ao campo gravitacional da realidade, uma vez que, deslumbrado e desesperado pela sensação do novo, da mudança, perdemos noção de sua complexidade. No entanto, quando já tomado pelo abraço da novidade, algo é certo: deixe-se impregnar. Sinta não apenas o cheiro da terra molhada, mas repouse sob a chuva fresca e viva, que te lava do velho, te vivifica. Entre em ressonância com as ondas do novo e absorva a energia bem-vinda.
Sam (02/12/12)
Presentes de um Verão
1quarta-feira, fevereiro 23, 2011 by Sanderson Moreira
Logo vem o outono, e é de praxe o calor das coisas se esgotar. São características as folhas caindo, o tempo esfriando e a rotina a imperar. Quero carregar dentro de mim tudo isso que pude experimentar mas mantendo sempre a efervescência e o calor vivo do meu verão incrível. Que não seja apenas o calor de janeiro ou fevereiro, pois estações e meses passam, deixando apenas lembranças que serão apenas memórias e nada mais do que isso, nada mais do que memoráveis momentos mortos. Não quero ver os meus presentes de verão dentro de um baú (ou caixão) de memórias e saudades. Quero-os vivos, com seu calor próprio, tão próprio que se mostrem tão vivos mesmo nos mais gélidos dos dias de inverno. Tangíveis e visíveis, não apenas na história, no passado, mas no futuro. Algo que ainda me inspire, me dê animo e me faça seguir com os meus ideais, alinhado à Visão.
Eu entendo que esses presentes não vieram do vazio, não foram criados pelas mãos do acaso ou que vieram apenas para serem vividos em um determinado momento e ponto final. São coisas que fazem parte de uma história que não vai se encerrar com o fim deste verão. Repercutira nos verões seguintes, nos dias mais rigorosos de inverno ou em meio as quedas mais bruscas do outono. A Pessoa deu os presentes, eu os guardo e farei muito uso deles. Todas as emoções, sentimentos e experiências não foram apenas frutos do calor do momento, do calor de janeiro/fevereiro. É um calor que não se esgotará; mais energético que a toda radiação do Sol e mais vivo que o seu brilho ofuscante. Um calor que vai me energizar a cada passo dessa minha vivência, me fará viver coisas novas e serão a base de uma estrutura toda.
Presentes em forma de gentes, presentes em forma de sorrisos, de momentos em que pude testemunhar o encontro dos desconhecidos com o Aquele que mais me conhece, a Pessoa, o Verbo e o Amor outrora encarnado [e pra sempre vivo]. Presentes em forma de trilhas, Piracicaba, Urca, praia, MAC, conversas, planos, amizade, mãos amigas. Momentos que não se limitam a serem rotulados de passeios ou mero lazer. Irmãos juntos, amigos compartilhando, vivendo na sintonia dEle, de Quem nos presenteou.
Presentes pra sempre presentes...
E foi tudo isso dentro de um verão só...
Category amizade, chuva, dias cinzentos, presentes, Projeto de Verão, ser humano
Ventos, Chuvas e Filosofias
4domingo, outubro 03, 2010 by Sanderson Moreira
Venta e cai um chuvisco incessante. No caminho para casa, os ventos sopravam forte, agressivos. Precisei segurar meu guarda-chuva para impedir que este fosse deformado ou levado pelas rajadas impetusas. Por fim, decidi fechar o guarda-chuva, permitindo com que as agulhadas geladas perfurassem meu ser nu. De alguma forma, essas agulhadas tornaram-se mais agradáveis - ou menos desagradáveis - que as constantes tentativas de impedir as ousadas acrobacias que o vento impulsionava meu guarda-chuva a fazer. Ressalto que gosto de caminhadas em dias chuvosos. Tudo é muito tranqüilo e a única sinfonia a se ouvir é a da chuva. Os ventos cantam e o coral de folhas revela uma perfeita variedade de tessituras. Há timbres de todos os tipos, sons de todas as sortes, mas que soam como o silêncio para minha alma. Na verdade, o silêncio é aquilo que tranquiliza [seja lá o que for] e não a ausência de som. É o algo que cala os pensamentos gritantes, pacifica as guerras interiores e nos seda temporariamente. O silêncio existe por dentro e não no ambiente. Há como existir silêncio em meio aos muitos sons. Um exemplo é quando estou no shopping. As vezes, o suposto silêncio da biblioteca da universidade - quase sempre - me traz poluição interior. Preciso fugir dali, preciso escapar. As vezes vou em busca dos andares mais vazios, mais tranquilos, mas, é paliativo. Percebo então que, na verdade, não é o pouco barulho ou pouco movimento que me trará mais paz. É algo mais profundo do que simplesmente os sons do ambiente físico. E fujo para o shopping. E ali, em meio a pessoas, lojas, odores [destaque para o da pipoca], sabores e ruidos, eu encontro um lugar. Sento-me em uma mesinha, escuto uma música, pego um livro ou algo para escrever, e inicio a minha viagem. Eu simplesmente achei um lugar para ter paz. Longe da correria acadêmica. Longe das cobranças. Longe das mesmas pessoas, da pressão psicológica e da auto-cobrança. A paz está então onde você verdadeiramente se liberta. Pode ser em uma caminhada pela rua, escutando uma boa música, e refletindo sobre a vida, ao lado dos carros que trafegam constantemente cruzando as vias da cidade, como eu o faço. Pode ser num dia de chuva, escutando o bramido dos ventos ou a melodia pluvial. Pode ser ao som da distorção de uma guitarra, ou nos golpes da percussão. Não importa. Você sabe onde encontrar a sua paz. E dias assim são dias nos quais eu delicio de um pouco dessa paz.
Paz é poder parar e ficar refletindo sobre sua vida. É poder perder o controle de sua auto-cobrança e abandoná-la, deixá-la de lado. É escapar de algo. É sentir a chuva e não reclamar do quão geladas são suas gotas ou por que você vai ficar todo molhado, mas sim senti-la e agradecer por isso, sentir isso como uma quebra de rotina, é vê-la como uma benção e não fugir correndo, mas sim caminhar, aproveitar cada gota que cair sobre você. É poder cantar em plena rua sem se preocupar em parecer um louco, mas sentir-se livre por cantar aquilo que a sua alma deseja entoar no momento. [sim, você não precisa ficar que nem um maluco gritando; eu disse, CANTAR, cantar para você!]. É, de alguma forma, ter um tempo consigo mesmo. É poder encontrar uma forma de visualizar somente você. E nesse momento é possivel ver que uma Pessoa Especial está com você, mesmo que não fisicamente, mas Ele está ali, acompanhando seu processo filosófico. Ele pode te induzir a pensar em como as coisas tem andado e você pode até sentir uma baita vontade de recorrer a algo maior, alguem que vá te abraçar com os braços do tamanho do Universo e que será a solução pra todos seus conflitos interiores. Ao fim de tudo, você verá que a paz se encontra quando você sente encontrá-LO. A paz reside nEle. Você já tentou encontrá-LO nos momentos em que você se sente aproximar-se da sua paz? #ficaadica
Eis-me filosofando no conforto do cobertor e da cama. Pensando no fato de não saber ainda em quem votar amanhã [só presidente]. Pensando no medo da dor que pode ser me apaixonar novamente, exercitando novamente a atraente arte do procrastinar, mas, ouvindo, porém, a deliciosa harmonia dos sininhos embalados pelo vento, das telhas metálicas vibrando sobre os terraços, e do chiado do vento, que agora, por fim, parece estar encontrando algum sossego.
Category caminhar, chuva, filosofia, paz

