Meias Palavras

1

sábado, março 24, 2012 by


Palavras;
não as temos mais para dizer
Silêncio
e caixas de texto em branco |

Você me pergunta como estou
Com meias palavras respondo:
Tenho a vida,
Tenho a fé,
Tenho a ciência,
E estes corações a amar.

Estou trilhando o caminho.

Talvez não vivendo mais para ser amado,
Ou sequer lembrado
pelos alguéns dos ontens
Tampouco, levado a esquecê-los
ou sentir decepção.
- eis-me pros outréns dos hojes.

...And so it is...
Eu cresci,
Eu entendi;
É que a vida é mesmo assim.

Sam (07/03/12)


Bicho de 7 cabeças

1

segunda-feira, março 05, 2012 by


Ás vezes
[muitas vezes] na vida
pensamos
que tudo é difícil,
bizarro,
estranho; um bicho
de 7 cabeças
Mas nem é,
não é não...

Sam (26/02/11)


Homenagem a Deus

4

terça-feira, janeiro 24, 2012 by

(Ontem seria o dia no qual eu teria minha cerimônia de formatura. Mas Deus acabou colocando outras coisas no caminho, e aí tive que fazer uma opção muito importante. Havia escrito este texto para ser lido durante a cerimônia. Bem, fica aqui como uma bela recordação e como sinceras palavras de agradecimento Àquele que me sustentou durante 5 anos no curso de Física na UERJ.)

            Bem, considerando que este momento se trata de uma homenagem a alguém, partimos do princípio de que, se é um alguém, é real e, logo, por merecer esta honra, se faz digno de tudo o que está acontecendo aqui, neste espaço , nesse instante de tempo t que marca um momento especial em nossas vidas.
            Deus real, presente e criativo. Estamos aqui hoje, gratos por nos permitir, através da ciência, compreender um pouco – ou um tanto – daquilo que Você criativamente arquitetou. Tantas constantes de proporcionalidade, aproximações, funções, teoremas, modelos e postulados para tentar entender a perfeição da criação do Ser Perfeito: que é Você.
Obrigado pelo intelecto, pois foi através dele que eu e com certeza outros também pudemos Te conhecer mais ou, pelo menos, vislumbrar a grandeza que Você é: um ser maior que o Universo, mas perfeito o bastante para morar em nossos imperfeitos corações.
            Quando as pessoas falam de Deus, algumas delas te definem como amor. De fato, Você é amor. Deus é amor. Amor que obedece às leis de conservação: é pra sempre, nunca acabará. Nós vivemos Deus. Respiramos Deus. Nossa essência é o amor, Ele.  E é por isso que também agradecemos pelo amor que recebemos de Você ao longo de todos estes longos anos, através de outros adoráveis humanos que Você colocou em nossas vidas. Obrigado pelo seu cuidado, pois foram – e são – muitos os riscos aos quais estamos sujeitos. Só Você sabe de tudo pelo qual realmente passamos. Foram guerras externas e internas, e, mesmo desacelerados pela força da vontade de desistir, Você conseguiu transformar todo caos em cosmos e, de uma forma que ninguém poderia explicar Você diminuiu a entropia de nossos corações e mentes. E hoje estamos aqui.
            Creio que Você tenha sido lembrado muitas vezes nessa nossa caminhada, nos nosso momentos de desespero, nos quais nos sentimos incapazes diante de tantos livros, integrais bizarras, prazos e provas impossíveis. É, às vezes só lembramos de Você nos momentos mais punks... Mas, é muito bom saber que em todos os momentos Você se importou com a gente quando estávamos mal e quando estávamos bem. Saboreamos de diversos sentimos: fé, tristeza, alegria, esperança, tensão, alívio... Quando paramos e olhamos pras páginas que foram viradas, podemos suspirar e então tirar a conclusão mais incontestável que podemos ter: “é, tudo foi no seu tempo certo, e esse é finalmente o meu momento”.
            Que nesse dia, vocês, formandos e amigos aqui presentes, possam refletir sobre a ilustre pessoa que está a receber está homenagem que nesse momento prestamos. Ele que esteve presente em todo tempo, até agora, e sempre. Que a fé que nos moveu até aqui possa continuar nos movendo, que Ele, como um vetor, nos direcione ao sairmos desta Universidade com nossos diplomas e seguirmos nossas carreiras.
            E está é a minha humilde homenagem ao convidado mais especial dessa noite, que agora sorri mega feliz lá das alturas e do fundo de nossos corações. Deus, essa festa toda e sua também. Muito obrigado!

Sanderson A. Moreira (31/07/11)


Conexão: l'innizio [Progetto Italia 2012]

1

domingo, janeiro 08, 2012 by

[Postando com um dia de atraso, my bad!]

Mântova,


     Sete de janeiro de dois mil e doze. Os acordes iniciais de Amsterdam, do Coldplay, adentram os meus ouvidos. Desde a última terça-feira meu mundo não é o mesmo. Holanda passou rápida em uma curta tarde fria e de sol timidamente gentil. Milão foi em um piscar de olhos e quando me vi já estava em Mântova, após umas boas três horas no carro. Não tenho muito a falar sobre estes três dias. É apenas o início. Foram ótimos dias. Mas só de pensar que isso é apenas o começo, eu fico já pensando na dor que será quando tiver que partir dessa cidade. De certo vou ficar cada vez mais apaixonado por tudo isso.
Até agora temos focado na parte transcultural, que é o startpoint de tudo. Como nos conectar com pessoas de uma cultura tão diferente da nossa e tão diferente da que as pessoas imaginam ser. Estamos no norte da Itália e é muito diferente da realidade do sul, em inúmeros aspéctos. Logo, não estamos com a galera do elenco da novela de época do horário das 21h da TV. É diferente. Como ir a estas pessoas sem ir contra a sua cultura? Como mergulhar na cultura e estar com eles?
     O dia hoje foi muito bom, mas ainda tenho por dificuldade a língua. É de conhecimento de quase todos esse meu lado relacional. Eu amo me relacionar com as pessoas, estar com elas, conversar, trocar idéia, me conectar. No entanto, para isso, a linguagem é essencial. E, bem diferentemente de como foi na Holanda, aqui a galera não curte o Inglês. Não falam, mesmo. Isso me deixou mega desorientado. Me retraio muito quando estou diante de alguém que está falando italiano. Creio que eu posso sim estabelecer uma comunicação - por mais básica e simples que seja - e interagir com a pessoa, mas, eu fico tímido, as palavras não saem, penso em inglês, mas fico calado e não falo, nada, hesito, droga. Bem, isso me incomodou muito hoje, mesmo. Mas eu sei que Deus sabe de todas as coisas, e eu peço a Ele para que me dê a oportunidade de melhorar a minha comunicação na língua italiana. Eu aprecio muito este idioma e quero mesmo, muito mesmo, conversar com essas pessoas, interagir e falar sobre assuntos espirituais com elas. Quero poder ganhar sua confiança e assim estabelecer um relacionamento, mesmo que esporádico. Quero conhecer também irmãos cristãos da igreja local em Mântova. É conexão. Conexão. Conexão é tudo. O frio tem sido vencido gradualmente com o uso constante e indispensável de roupas de inverno. Elas são amigáveis. Não sinto ainda saudades do Rio de Janeiro e do seu sol quente. Quero aproveitar as cores, os ares e as formas dessa terra. Sei que há muito que está por vir nessa jornada, e este muito não caberá em centenas de fotos, souvenirs, postagens ou videos. Um mês diferente, numa terra diferente, trazendo algo diferente e verdadeiro; lidando com uma gente do velho Mundo que precisa do Novo.

Sanderson A. Moreira


Continuidade

2

sábado, dezembro 24, 2011 by

       Toca Joy Division na minha playlist. Verão. Os dias quentes e as ruas áridas. As horas rápidas e duradoura é a luz solar. Toda essa sensação térmica me faz ousar cada vez menos a tentar ter noção do frio ao qual meu corpo estará sujeito daqui há uma semana. Está tão perto que tange o inacreditável. Comprar roupas de frio em pleno verão, ver réplicas de bonecos de neve em plena paisagem de Ipanema, bem irônico. Minha ficha só vai cair mesmo semana que vem. 

       Época de festas de final de ano são sempre agitadas. Gastei boa parte das minhas energias esforçando-me e anelando as férias, e agora é como se o troféu finalmente tivesse chegado às minhas mãos. Se bem que estaria mais pra carta de alforria do que pra troféu. O semestre na Universidade se arrastou, cansou. Em resumo, agora posso ter um pouco mais de tempo para assistir Dexter, dar umas saidas e resolver umas pendências. No entanto, ainda continuo acordando cedo, digo, as oito horas, o que se pode considerar cedo já que estamos falando a respeito de férias.
       Ganhei o hábito também de olhar para o céu todas as noite antes de dormir. Fico caçando as estrelas e Júpiter. Fico encantado demais. Nunca parei para fazê-lo e minha motivação é a ênfase que tem sido dada à Astronomia no museu onde trabalho. Estamos sendo capacitados para o planetário e isso é bem divertido. O céu tem atraído meus olhos.

       De certo muitas pessoas estão escrevendo coisas sobre este fim de ano. Este está sendo o mais atípico para mim. Daqui há alguns dias é dois mil e doze, mas percebo que a cada ano que passa eu tenho desenvolvido a noção de continuidade no meu calendário mental. Janeiro é uma página em branco, mas não em um novo livro. É apenas um novo capítulo. Alguns preferem escrever contos de fadas, outros, tentam de alguma forma melhorar a trama de seus dramas. Eu prefiro continuar escrevendo rascunhos, fazendo alguns garranchos, umas letras bonitas depois, mas a todo instante sabendo que a estória não vai ter fim. Continuidade. Não consigo mais ver a linha divisória. Janeiro será um mês longo, frio e diferente. Fevereiro será curto, quente e típico. Alguns planos e resoluções cairão por terra, outros surpreendentemente emergirão e velhos sonhos costumam voltar à vida. É por isso que não desejo escrever algo especial sobre o final de 2011. Este tem sido um ano muito bom, e a propósito, estes últimos anos têm sido tão bons que não consigo mais classificá-los; são apenas anos. Coisas boas e ruins constituem um ano. Vitórias às vezes não podem ser conquistadas em apenas meros 365 dias. A vantagem de se ter um calendário mental que se desprende da linha tênue entre dia 31 e dia 1º é ter tal percepção dos fatos, tanto os que julgamos ruins como os que consideramos bons.  Aliás, tenho perdido também o habito de classificação. Preferências também são poucas. Tenho me tornado um ser mais compreensivo, eu acho, sobretudo, mais consciente da dinâmica da vida.
       Hoje é vespera de Natal, e é um dia estressante. As pessoas ficam tão inquietas, tão, hum, agitadas e... Empolgadas. As vezes, é algo que nem tem muito sentido para elas, mas, é o que a tradição manda. Todo esse movimento, essa euforia e esse tempo quente, com mães aprisionadas em suas cozinhas abafadas, a sinfonia das colheres atritando e percutindo panelas de metal, e familiares que chegam do nada, e crianças toscas com seus lesos pais nos shopping centers escolhendo presentes caros [e dos quais elas não são tão merecedoras assim, oh, crianças desobedientes], comerciais chicletes na TV, guirlandas, luzes e neve de isopor nas lojas de norte a sul e esse gosto de dia arrastado, me deixam num estado estranho, irritado, entediado. Mas não se engane, estou sempre feliz pois eu sei o sentido do Natal.


Aeternitas

2

quinta-feira, dezembro 01, 2011 by

Há um mundo que excede o pensar,
uma vida diferente, num outro lar
onde as peças bizarras
do quebra-cabeça cotidiano
se encaixam,
se casam
e como os pontos de Seurat,
assim visto aos longe,
fazem sentido
completo, preciso.
Os olhos falham ao enxergar
por trás da cortina de léptons e quarks
e o coração pulsa por nada,
por matéria que um dia se acaba.
Oportunidade perdida
a de não se apaixonar eternamente
pelo teu Arquiteto, oh!
Tragédia certa será
ao lado dEle não estar,
na casa feita pra ti
pr'onde se mudariam
amanhã,
depois daqui,
num passeio sem volta
sem fim:
além do campo de estrelas luzentes
e noites de luas crescentes;
onde os lábios não beijam
e só a alma toca,
onde os olhos, obsoletos,
agora cegos não choram,
não assim, não mais
no outro mundo.


by Sanderson Moreira (01/12/2011)


Grito

1

sexta-feira, outubro 14, 2011 by

Venho quebrar o silêncio. Não sei se foi a chuva ou os episódios da nova série que estou assistindo (Castle), mas me veio um incômodo muito grande por ter deixado há tanto este blog à esmos. Eis que cinco meses se foram, e cinquenta mil coisas sim, foram caindo em minha vida, de paraquedas. Uma a uma. Não contarei detalhes agora, pois detesto resumir em algumas linhas a riqueza de detalhes e as nuances de uma variedade de momentos que foram tão peculiares, embora em apenas meros cinco meses.
Sinto saudades de escrever. Confesso que tenho gastado meu tempo e energias em coisas muito importantes para mim agora, mas, parece que esqueci do meu prazer de escrever. Pelo menos, da parte prática. Minha mente é bem louca. Tenho dificuldades de colocar as coisas no "papel", e acabo perdendo as dezenas idéias que se passam na minha cabeça. Agora eu peguei o hábito de anotar tudo. Tenho um caderninho para isso. Mas mesmo assim, sinto saudades de escrever coisas mais extensas, mas (ou nem tanto) filosóficas, estruturadas. Escrever essa postagem está sendo como um grito. Causar barulho no silêncio profundo.
Bem, quem sou eu nesse exato momento de minha vida? Sou um licenciado em Física, com altos planos que não têm nada aparentemente a ver com minha formação acadêmica. Trabalhador de um museu de Ciências, onde tenho experimentado mais um pouco da atuação na área de divulgação científica. Uma pessoa com uma vida um pouco corrida agora, mas que faz isso com um propósito, e não pra se tornar mais um ser morimbundo que só trabalha como fruto da pressão de um sistema que quer te tornar uma mera mão-de-obra, limitar sua mente e roubar seus sonhos plenos. Eu tenho um porquê de estar vivendo isto tudo, agora. Há motivos para agora estar correndo riscos e ousando como nunca me atrevi. Se há uma coisa que tenho aprendido ultimamente é que eu devo correr atrás dos meus sonhos e realizá-los. Largar o medo e sair só das palavras. A minha vida precisa chegar num tal ponto no qual todas as coisas que vivo converjam. E isso bizarramente tem acontecido. É divino. Não vem de mim, mesmo. 
É conhecida de muitos a vontade minha de vivenciar experiências transculturais internacionais. Há muito já venho falando sobre intercâmbio, possíveis destinos e aprendizado de línguas estrangeiras. Pois bem, tudo parece estar dando o primeiro passo agora. Sim. Estou indo pra fora, um lugar que não estava na minha lista, mas que eu já abracei de coração. Estou indo para aprender e viver experiências maravilhosas, mas o foco é ministerial. Estou permitindo Deus abrir uma porta em minha vida que irá abrir outras portas que nem imagino no momento. E pra isso, tomei muitas decisões, houve renúncia. Estou indo pra Itália em breve, e com uma importante missão nas mãos. Ainda não sei bem no que vai dar. Meu Pai é quem deixou eu ir e eu confio nEle. Ele sabe como tudo vai ter que ser lá e eu estou disposto a viver isso. Com muita fé é que venho abrindo espaços em mim para que isso tudo aconteça. O que Ele quer é o que importa mais e estar com o coração nisto tudo é a coisa a se fazer. Ainda planejo o intercâmbio, e esta semana pensei muito sobre fazê-lo ano que vem. Os meus recursos financeiros estão sendo voltados para investimentos a longo prazo, e 90% disso inclui o intercâmbio. Ainda não pensei em continente ou país direito, mas, eu creio que a minha ida a Europa será uma chave que vai me mostrar muitas coisas. Decidi dar um passo de cada vez e meu foco agora é Itália.
Vou parar de falar [muito] sobre mim. Foi muito bom poder ter parado esses 10 minutinhos para escrever aqui. Estava abafado, que nem o dia de ontem. À propósito, o verão está chegando daqui há pouco. Enquanto isso, nos divertimos com a primavera. Que estação doida! É quase certo todo final de semana mudar o tempo e chover nas segundas. Nos dias que trabalho - e nestes não posso vestir bermudas -, o Sol retorna em raios fúlgidos. Irônico né?
Ah, citei Castle no inicio da postagem porque um escritor de romances policiais é um dos protagonistas da série. Isto me inspira. Pessoas criativas me inspiram e me incitam a respirar. E é com todo esse ar nos pulmões de meus neurônios - agora, talvez, cheios de gás - que grito este grito, em palavras que surgem aos estalidos do teclado sob meus dedos, já bem embriagados pela sonolência das 1 da manhã. Minha cama me chama, e um dia cheio me espera. A presto.